Câncer de Pênis

O Câncer de pênis é uma neoplasia relativamente rara no mundo mas infelizmente com grande incidência nos países em desenvolvimento. O manejo da doença é desafiador e costuma envolver equipe multidisciplinar pois tratamento costuma trazer graves conseqüências ao paciente devido o potencial mutilador dos procedimentos cirúrgicos. Quando na fase incial da a utilização de técnicas locais e microcirúrgicas preservadoras do órgão são uma opção. No entanto, não é essa a realidade no tratamento dessa doença. Lesões invasivas e avançadas são o dia a dia de quem lida com o problema.
A incidência da doença é extremamente maior em países em desenvolvimento como a Brasil e Índia onde pode ser considerada um problema de saúde pública. No entanto, o diagnóstico é raro em países industrializados principalmente nas populações brancas postectomizadas (circuncisão). Esse fato mostra como é importante a relação do câncer de pênis às condições sócio-econômicas e de higiene pessoal.
No Brasil, um dos recordistas de câncer de pênis no mundo, o atraso no diagnóstico e no inicio do tratamento são uma constante. Questões pessoais dos pacientes (desconhecimento, constragimento) ou peculiaridades dos serviços públicos de saúde fazem com que o tratamento já seja iniciado em estágios mais avançados da doença quando as taxas de cura não são animadoras e os resultados estéticos cirúrgicos menos ainda.
A etiologia da doença ainda não está completamente esclarecida mas sabemos que o estado inflamatório crônico causado pelo tabagismo, falta de higiene local, presença de fimose e infecções pelo papilomavirus humano (HPV) seja o principal fator desencadeador do processo neoplásico.
Cabe lembrar que algumas doenças cutâneas são consideradas pré malignas e merecem acompanhamento criterioso. São elas; o corno cutâneo, a balanite ceratótica, o líquen plano e a leucoplaquia. É comum o paciente procurar o uro-oncologista após longos períodos de tratamento dermatológico tópico sem melhora.
Além da melhora das condições sócio-econômicas algumas medidas de prevenção pode ser tomadas como a circuncisão neonatal, uma boa prática de higiene pessoal e a imunização para o papilomavírus humano (HPV).
Alguns anos atrás, a sociedade brasileira de urologia veiculou uma campanha na qual um importante jogador de futebol estimulava a higiene pessoal. A foto, com um sabonete e os dizeres “água e sabão: é a melhor prevenção”, foi considerada ofensiva e talvez não tenha atingido o seu objetivo. A critica à campanha, na verdade, mostra como esse tema precisa ser passado a limpo e com menos preconceitos. Se falar de higiene pessoal já foi difícil, imaginem entrar no campo do diagnóstico e tratamento da doença.

São várias as apresentações clínicas do câncer de pênis. Em geral, são machucados ou manchas no pênis que não melhoraram com os tratamentos tópicos.

O diagnóstico definitivo câncer de pênis é dado por análise histopatológica (biópsia). Apesar da clínica bastante característica, uma biópsia incisional ou excisional deve ser direcionada para áreas suspeitas. Infelizmente, por questões já levantadas anteriormente, esse exame constuma ser realizado muito tardiamente. E não só por culpa dos pacientes. Muitos profissionais médicos ainda subestimam as alterações de mucosa e pele no local e insistem em tratamentos tópicos que apenas retardam o diagnóstico.

Apesar das técnicas microcirúrgicas, laser e ácidos de potencial tratamento minimamente invasivo, o tratamento geralmente envolve retirada parcial ou completa do pênis. Os linfonodos da região inguinal também merecem atenção e muitas vezes precisam ser retirados. São poucos os urologistas com experiência no tratamento do câncer de pênis. (para mais informações, veja aqui minhas publicações sobre o tema).

Apesar do tratamento do câncer de pênis ser realizado por abertura na região da virilha para permitir a retirada dos linfonodos (ínguas), a cirurgia robótica também pode utilizadas. Nesse cenário, as vantagens são:

- Movimentos cirúrgicos mais precisos.
- Menos dor no pós-operatório.
- Menor risco de complicações como necrose de pele.
- Menor sangramento.
- Menor tempo de internação.
- Menor risco de transfusões sanguíneas.
- Retorno mais rápido às atividades físicas e profissionais.
- Menor impacto estético com incisões pequenas.
- Posição mais confortável para o cirurgião.