Blog
  • início
  • Blog
  • Câncer de pênis: mitos, fatos e avanços no tratamento minimamente invasivo

Câncer de pênis: mitos, fatos e avanços no tratamento minimamente invasivo

Câncer de pênis: mitos, fatos e avanços no tratamento minimamente invasivo

O que é o câncer de pênis — e por que falar disso agora?

Câncer de pênis é um tumor, em geral urotelial/escamoso, que surge na glande, prepúcio ou corpo peniano. É raro, porém mais frequente em homens acima de 50 anos e em regiões com menor acesso à higiene/saúde. Falar cedo sobre sinais, diagnóstico e tratamentos conservadores evita mutilações e melhora qualidade de vida.

O tumor costuma estar ligado a inflamação crônica, fimose, infecções sexualmente transmissíveis e tabagismo. Apesar do estigma, diagnóstico oportuno e cirurgia organopreservadora têm ampliado as chances de controle oncológico com preservação funcional. Em 2025, diretrizes internacionais priorizam margens oncológicas e preservação de forma e função quando viável.


Quais são os mitos mais comuns — e quais os fatos?

Os mitos mais frequentes: “é só problema de higiene”, “doe sempre”, “tratamento é sempre amputação”, “não dá para ter vida sexual depois”. Fatos: fatores são multifatoriais; pode não doer; existem cirurgias conservadoras; reabilitação sexual/psicológica é parte do cuidado; quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de preservar o pênis.

Mitos vs. Fatos:

  • Mito: “Sangrou uma vez, foi infecção.”
    Fato: Hematúria/hemorragia e ferida que não cicatriza devem ser investigadas.
  • Mito: “Se não dói, não é câncer.”
    Fato: Muitas lesões não doem.
  • Mito: “Todo tratamento é amputação.”
    Fato: Para tumores iniciais, há excisão tumoral, glansectomia, resurfacing, laser e Mohs.
  • Mito: “Após cirurgia, vida sexual acaba.”
    Fato: Reconstrução, próteses e reabilitação ajudam a recuperar sexualidade e autoestima.
  • Mito: “É doença de gente jovem.”
    Fato: Incidência aumenta com a idade.


Quais são os sinais de alerta e como reconhecer cedo?

Os sinais incluem ferida/úlcera na glande/prepúcio que não cicatriza, placas/verrugas, odor, secreção, sangramento e aumento de linfonodos inguinais. Dor pode não existir. Em homens 50–75 anos, qualquer lesão persistente deve ser avaliada logo por urologista para biópsia e estadiamento.

Checklist rápido de alerta:

  • Lesão/verruga que não melhora em 2–3 semanas
  • Secreção com odor, sangramento ou crostas
  • Fimose com inflamações repetidas
  • Nódulos na virilha (linfonodos)
  • Histórico de tabagismo, higiene precária, infecções genitais


Como é feito o diagnóstico precoce?

O diagnóstico combina exame físico completo (pênis/virilhas), dermatoscopia urológica quando disponível e biópsia da lesão para confirmar o tipo e o grau. A avaliação dos linfonodos é fundamental: exame clínico, ultrassom e, em casos selecionados, biópsia do linfonodo sentinela guiada por radioisótopo/corante.

Passo a passo (resumo):

  1. Consulta + exame físico completo
  2. Biópsia incisional/excisional da lesão
  3. Estadiamento regional (linfonodos) e, se necessário, imagem (TC/RM)
  4. Discussão multidisciplinar do caso


O que mudou no tratamento minimamente invasivo em 2025?

Avanços incluem cirurgias organopreservadoras (excisão/laser/Mohs, glansectomia/resurfacing), biópsia de linfonodo sentinela e, em centros experientes, linfadenectomia inguinal minimamente invasiva (incluindo abordagem robótica). O objetivo é margem negativa com máxima preservação de comprimento, sensibilidade e função, além de menor morbidade linfonodal.

Destaques práticos:

  • Excisão tumoral com margem oncológica adequada
  • Resurfacing da glande após remoção superficial
  • Glansectomia parcial/total com reconstrução
  • Laser/Mohs em lesões muito superficiais
  • Linfonodo sentinela para estadiamento minimamente invasivo
  • Linfadenectomia seletiva (aberta, vídeo ou robótica) conforme risco


Cirurgias conservadoras: como funcionam e quem se beneficia?

Para Tis/Ta/T1 de baixo/intermediário risco, o objetivo é retirar apenas o tumor com margem segura, preservando o máximo de tecido. Técnicas como excisão local, laser, Mohs, resurfacing e glansectomia (com reconstrução) mantêm forma e, muitas vezes, função erétil e sensibilidade satisfatórias.

Critérios de seleção (em geral):

  • Lesões pequenas e bem delimitadas
  • Ausência de invasão profunda (corpo/corpos cavernosos)
  • Grau histológico favorável
  • Compromisso do paciente com seguimento/revisões


E quando é necessária penectomia parcial ou total?

Se a lesão é profunda/ extensa ou há invasão dos corpos cavernosos/uretra, a penectomia parcial (com neomeato) garante margem oncológica. Casos muito avançados podem exigir penectomia total. Mesmo nesses cenários, planejamento reconstrutivo e reabilitação sexual são discutidos desde o pré-operatório.

Pontos de decisão:

  • Margem oncológica segura é inegociável
  • Debate entre controle local e preservação funcional
  • Reconstrução (retalhos/implantes) pode recuperar forma/micção ereta
  • Apoio psicológico é parte do tratamento


Linfonodos inguinais: o que é linfonodo sentinela e por que importa?

O linfonodo sentinela é o primeiro gânglio que drena a área do tumor. Identificá-lo e biopsiá-lo (radioisótopo/corante) permite detectar metástase microscópica sem precisar retirar todos os linfonodos. Em casos positivos, indica-se linfadenectomia inguinal seletiva para controle regional.

Vantagens do conceito:

  • Menor morbidade (menos linfedema/seroma)
  • Estadiamento preciso
  • Planejamento cirúrgico mais personalizado
  • Direciona necessidade de terapias adjuvantes


E as opções sistêmicas (quimio, rádio, imunoterapia)?

Em doença regional avançada ou metastática, combinam-se quimioterapia (à base de platina), radioterapia de controle e, em estudos e casos selecionados, imunoterapia. No local, terapias tópicas (imiquimode/5-FU) podem tratar in situ. A decisão é multidisciplinar, priorizando controle oncológico e qualidade de vida.

Cenários clínicos:

  • Neoadjuvância em linfonodo inguinal volumoso
  • Adjuvância após linfadenectomia positiva
  • Controle de recorrência local/regional
  • Cuidados paliativos integrados quando necessário


Quais são as consequências psicológicas — e como acolher?

O diagnóstico mexe com autoimagem, sexualidade, relacionamentos e projetos de vida. Ansiedade, depressão e evitação são comuns. Intervenções precoces — psico-oncologia, terapia sexual, educação do casal/família e grupos de apoio — reduzem sofrimento e melhoram adesão e qualidade de vida.

Plano de cuidado psicossocial:

  • Acolhimento sem tabu
  • Nomear medos (dor, “masculinidade”, sexualidade)
  • Metas realistas de resultado funcional
  • Envolver parceira(o) e familiares decisores
  • Oferecer reconstrução/próteses quando indicado


Reabilitação sexual e urinária: como é o caminho?

Após cirurgia, foca-se em cicatrização, sensibilidade e função miccional. Na esfera sexual, avaliam-se ereção, ejaculação e prazer. Fisioterapia pélvica, aconselhamento sexual, dispositivos e, quando apropriado, próteses penianas compõem a reabilitação. A meta é retornar a uma vida ativa e satisfatória.

Boas práticas:

  • Educação pré-operatória realista
  • Exercícios do assoalho pélvico
  • Retomada gradual da atividade sexual
  • Avaliação de medicações/dispositivos de ereção
  • Follow-up estruturado (urologia + psicologia)


Como é o seguimento após o tratamento?

O seguimento é estratificado por risco e inclui exame local, avaliação inguinal e, quando indicado, imagem. Nos primeiros dois anos, revisões são mais frequentes, pois concentram recidivas. Educação para autoexame, cessar tabagismo e reparo precoce de linfedema evitam complicações e reinternações.

Exemplo de agenda (pode variar):

  • 0–24 meses: consultas trimestrais/semestrais
  • 24–60 meses: semestrais/anuais
  • Após 5 anos: anual, se assintomático


Tabela comparativa — opções cirúrgicas por extensão do tumor

SituaçãoOpção minimamente invasiva/organopreservadoraQuando usarVantagensLimitações
Tis / CISLaser, Mohs, imiquimode/5-FULesões planas/superficiaisPreserva forma/funçãoExige seguimento rigoroso
T1 baixo/intermediárioExcisão local, resurfacing, glansectomiaLesões pequenas/sem invasão profundaBoa cosmética, função preservadaRisco de recidiva local
T1 alto / T2 limitadoGlansectomia total + reconstruçãoLesões de glande sem invasão extensaControle oncológico + formaPode reduzir sensibilidade
Invasão profundaPenectomia parcialPreserva comprimento para micção em péMargem segura, função miccionalImpacto psicosexual maior
Extenso/multicomprometidoPenectomia totalTumor avançado/localmente extensoControle localNecessita urostomia/assentos
Linfonodo negativoLinfonodo sentinelaEstadiar com menor morbidadeEvita linfadenectomia amplaRequer expertise logística
Linfonodo positivoLinfadenectomia (seletiva/robótica)Controle regionalMelhora estadiamento/controleRisco de linfedema/seroma


E os custos e acesso no Brasil?

Cirurgias conservadoras e biópsia do linfonodo sentinela exigem centros experientes. A via robótica para linfadenectomia depende de disponibilidade. No privado, custos são maiores; no SUS, há protocolos de referência. O valor real para o paciente está na preservação funcional e na redução de complicações.

Dicas de navegação:

  • Pergunte sobre experiência da equipe
  • Entenda alternativas equivalentes quando robô não estiver disponível
  • Solicite seguimento planejado (consultas, curativos, reabilitação)
  • Avalie suporte psicológico e de assistência social
faq


FAQ — Perguntas frequentes (10+)

1) Câncer de pênis é sempre causado por falta de higiene?
Não. A higiene inadequada aumenta risco, mas há outros fatores: fimose, inflamação crônica, ISTs e tabagismo.

2) Se não dói, posso esperar?
Não. Boa parte das lesões não dói. Ferida/verruga que não cicatriza deve ser vista logo.

3) Toda cirurgia retira o pênis?
Não. Para lesões iniciais, há procedimentos conservadores com ótimos resultados oncológicos e funcionais.

4) É possível preservar a vida sexual?
Sim. Reconstrução, reabilitação e, se necessário, próteses ajudam a recuperar função e satisfação.

5) O que é linfonodo sentinela?
É o primeiro gânglio de drenagem do tumor. Biopsiá-lo reduz necessidade de retirar todos os linfonodos.

6) Preciso de radioterapia/quimioterapia?
Somente em casos selecionados (doença regional/metastática) ou protocolos de preservação. A base é cirúrgica.

7) Como fica a micção após penectomia parcial?
A maioria consegue urinar em pé por via do neomeato; ajustes de jato e cuidado local são orientados.

8) A doença volta com frequência?
Depende do estágio e do controle das margens. Por isso, o seguimento é estruturado e frequente no início.

9) Tenho vergonha de consultar; posso mandar foto?
A telemedicina orienta, mas não substitui exame físico e biópsia. Procure avaliação presencial rápida.

10) Quais são os efeitos psicológicos mais comuns?
Ansiedade, alteração de autoimagem e medo de rejeição. Psico-oncologia e terapia sexual ajudam muito.

11) Robótica é obrigatória para linfonodos?
Não. A via depende da experiência e dos recursos. Abordagens abertas e vídeo também são eficazes.

12) O que posso fazer para prevenir?
Manter higiene adequada, tratar fimose, parar de fumar, vacinar-se contra HPV (quando indicado) e consultar cedo ao notar lesões.


Considerações finais

Câncer de pênis exige diagnóstico precoce, pois define se o tratamento será conservador ou extenso. Em 2025, técnicas minimamente invasivas e organopreservadoras permitem controlar o tumor com melhor qualidade de vida. Cuidar da saúde mental é parte do tratamento. Procure avaliação ao primeiro sinal.

Ao tirar o tema do tabu e priorizar informação clara, aumentamos as chances de detectar lesões iniciais, preservar o órgão e reduzir o impacto psicossocial. O caminho passa por equipes experientes, centros com estadiamento linfonodal adequado e reabilitação sexual/psicológica integrada.

Dr Daniel Hampl - urologista próximo a mim
Dr. Daniel Hampl – Urologista Ipanema , Urologista Barra da Tijuca


Dr. Daniel Hampl

Dr. Daniel Hampl é urologista e cirurgião robótico, doutor pela UERJ, com certificações internacionais no sistema Da Vinci®. Realizou observership no MD Anderson Cancer Center (EUA). Membro da SBU, AUA e EAU, atua no Rio de Janeiro com foco em uro-oncologia, preservação funcional e cirurgias minimamente invasivas.

👩🏻 Agende agora a sua consulta com o Doutor! 📝
Página de contato 👉 https://danielhampl.com.br/contato/
☎️Tel: / 📱WhatsApp👉 (21) 99934-1450


Referências:

  • EAU Guidelines on Penile Cancer (edição 2025 = reimpressão 2024; sumário de mudanças e texto completo). Uroweb+2Uroweb+2
  • NCCN Guidelines for Penile Cancer, versão 2.2025 (detalhes de conduta regional e sistêmica). NCCN
  • INCA — Câncer de pênis (público e profissionais), atualização 2025 (sinais, prevenção, diagnóstico). Inca+1
  • AUA — Conteúdos educacionais/Update Series (técnicas organopreservadoras e abordagem dos linfonodos). AUA University+1
  • RBC/INCA (2025) — impacto psicológico e qualidade de vida no câncer de pênis. Revista Brasileira de Cancerologia
  • Revisões com livre acesso (Panorama terapêutico, linfonodo e adjuvância). PMC

compartilhe​