Blog
  • início
  • Blog
  • Como funciona a ultrassonografia da próstata

Como funciona a ultrassonografia da próstata

Ultrassonografia da próstata transabdominal mostrando as medidas dos três eixos e o volume calculado da glândula

Junto com o PSA e o toque retal, a ultrassonografia da próstata é um dos exames que mais ajuda a tomar decisões sobre sua saúde urológica. Afinal, a ultrassonografia consegue ver detalhes que o toque não vê: medidas reais, peso estimado e cistos.

Mas, para que o resultado saia bom, você precisa saber como esses exames são realizados e, principalmente, quais erros podem atrapalhar a interpretação dos resultados. Por isso, neste texto eu explico os detalhes da ultrassonografia da próstata e as três fases principais do exame, o que cada uma revela e por que a preparação importa.

Por que a ultrassonografia da próstata é importante

A próstata fica bem escondida lá na pelve, atrás do osso do púbis. Por isso, é tão difícil examinar só com o toque. Assim, a ultrassonografia da próstata funciona como uma extensão da análise e dos exames clínicos que o urologista faz no consultório. Além disso, ela mostra a bexiga e estima como anda sua capacidade de esvaziamento da urina. Para obtermos todas essas informações, porém, o exame precisa respeitar um rito muito bem definido.

Primeira etapa da ultrassonografia da próstata: enchimento da bexiga

A ultrassonografia da próstata começa antes mesmo da sala de exame. Primeiro, você chega no laboratório e começa a beber água para produzir mais urina e encher a bexiga. Afinal, uma bexiga cheia é fundamental para a qualidade da imagem. Sabe por quê?

Porque as ondas de ultrassom precisam de um meio líquido para se propagar. Ou seja, a urina dentro da bexiga funciona como uma janela acústica e melhora muito a qualidade da imagem da próstata. Sem bexiga cheia, portanto, a imagem perde qualidade e o exame não entrega resultados tão confiáveis.

Como funciona: o paciente senta na recepção, bebe entre 2 e 4 copos de água e, em seguida, espera uns 30 a 45 minutos até a bexiga distender o suficiente. Naturalmente, isso gera ansiedade e vontade de urinar, e isso é normal. Depois, o médico avisa quando for a hora de entrar. Fique tranquilo!

Fique tranquilo? Nem tanto. Na verdade, aqui mora o primeiro erro em potencial. Caso o médico demore muito para te chamar e sua bexiga fique muito repleta (hiperdistendida), a imagem da próstata ficará boa, mas pagaremos um preço que talvez não se justifique. Isso porque uma bexiga muito cheia pode atrapalhar a medição do resíduo pós-miccional, que é parte importante do exame.

Aliás, vou explicar melhor isso na próxima fase.

Segunda etapa: o transdutor transabdominal e as medições

Agora começa a parte central da ultrassonografia da próstata: você entra na sala de exame com a bexiga cheia. Então o médico coloca um gel no seu abdômen (logo embaixo do umbigo) e posiciona o transdutor, aquele aparelho que parece um bastão. Ele vai pressionar sua bexiga e isso vai te dar muita vontade de urinar, mas faz parte do protocolo. Sem essa pressão, afinal, a imagem sai ruim.

Em seguida, o médico faz várias medidas importantes na ultrassonografia da próstata:

  • Mede o tamanho da próstata nos três eixos (comprimento, largura, profundidade)
  • Calcula o volume da próstata usando a fórmula do elipsoide (comprimento × largura × profundidade × 0,52)
  • Avalia a textura (se é homogênea ou heterogênea)
  • Procura ativamente por nódulos ou áreas suspeitas
  • Calcula o volume de urina que se encontra na bexiga (antes de você urinar)

Assim, este é o número que mais vai aparecer no seu laudo: o volume da próstata em gramas, mililitros ou centímetros cúbicos.

Mas aqui está o detalhe crítico. Se você estiver com a bexiga muito cheia, além do desconforto durante essa fase, ela também pode atrapalhar a medição do volume que sobra depois de tentar urinar, na terceira etapa do exame. Por isso, a preparação da ultrassonografia da próstata é tão importante.


Terceira etapa: o resíduo pós-miccional

Esta é a etapa mais negligenciada da ultrassonografia da próstata. Aqui é onde muitos médicos correm o risco de errar e, além disso, onde a maioria dos pacientes quer ir embora. Primeiro, você sai da sala, vai ao banheiro e esvazia a bexiga completamente. Depois, você volta.

Nessa volta, no entanto, o objetivo muda completamente. Já não estamos mais olhando a próstata: agora estamos medindo quanto de urina ficou na sua bexiga. Ou seja, isso é o resíduo pós-miccional e talvez a informação mais valiosa de toda a ultrassonografia da próstata.

Geralmente, consideramos normal um resíduo pequeno, em torno de 50 mL. Por outro lado, um resíduo grande (acima de 150 mL) sugere que você não está conseguindo esvaziar a bexiga completamente. Isso pode significar obstrução pela próstata, fraqueza da bexiga ou, inclusive, os dois problemas acontecendo juntos.

Além disso, se você começou a tomar finasterida, doxazosina ou tansulosina, o resíduo medido na ultrassonografia da próstata mostra se o tratamento está realmente ajudando ou se precisamos mudar a tática. Se o resíduo diminui com o tempo, bom sinal. Caso contrário, precisamos considerar uma troca de medicamento ou até procedimentos cirúrgicos.

Um laudo não é uma sentença

Nesta primeira imagem, por exemplo, você pode ver que o resíduo pós-miccional é maior do que o volume pré-miccional. Isso só pode acontecer por dois motivos. Ou o paciente não conseguiu urinar nada e a bexiga continuou enchendo, ou ele esvaziou, mas aguardou muito tempo para ser chamado para a terceira etapa e, enquanto isso, a bexiga acabou ficando repleta novamente.

Ultrassonografia da próstata com resíduo pós-miccional maior que o volume pré-miccional da bexiga
Arquivo pessoal

Neste segundo exemplo, por sua vez, a bexiga ficou muito repleta, hiperdistendida, com volume pré-miccional acima de 500 mL. Provavelmente, o desconforto do exame influenciou o processo de esvaziamento. Nesse caso, portanto, precisamos reconsiderar o exame. Talvez, se o médico tivesse pedido para o paciente esvaziar novamente a bexiga e tivesse registrado o resíduo após a 1ª micção e, depois, o resíduo após a 2ª micção, conseguíssemos interpretar o exame de forma melhor, em vez de descartá-lo completamente.

Ultrassonografia da próstata com bexiga hiperdistendida, volume pré-miccional acima de 500 mL
Arquivo pessoal

Ultrassonografia da próstata transabdominal ou transretal: qual a diferença

Até aqui, tudo que eu expliquei se aplica à ultrassonografia da próstata feita por via transabdominal, aquela com o gel na barriga. No entanto, caso seu médico tenha solicitado um ultrassom transretal, a situação é diferente.

Na prática, a ultrassonografia da próstata acontece de duas formas:

  • Transabdominal (o que você faz nesse exame): transdutor normal, encosta no seu abdômen, vê a próstata de longe, imagem é mais grosseira
  • Transretal (para biópsia): transdutor mais comprido, entra pelo reto, fica pertinho da próstata, imagem é muito melhor

Quando vamos fazer uma biópsia, portanto, muitas vezes utilizamos a via transretal, porque a agulha precisa de guia de ultrassom em tempo real. Além disso, a sonda transretal chega mais perto da próstata, com qualidade de imagem melhor.

O que você precisa fazer agora

Agora você já sabe como o exame funciona e por que cada fase importa. Portanto, se seu médico pediu uma ultrassonografia da próstata, a melhor preparação é chegar hidratado e disposto a seguir o protocolo. Afinal, a qualidade do resultado também depende de você.

Ou seja: chegue com tempo para beber água sem pressa, mantenha a bexiga cheia durante o exame e, principalmente, não deixe passar a terceira etapa. Afinal, aquela medição do resíduo pós-miccional é tão importante quanto o resto do exame.

No próximo artigo, então, vou falar sobre a biópsia de próstata e como ela funciona.
Por fim, espero que você aproveite essas informações e que elas tirem suas dúvidas sobre um dos exames mais pedidos nos consultórios dos urologistas.

Fontes

1- Burgardt et al. (RBUS – Revista Brasileira de Ultrassonografia). Importância do resíduo pós-miccional | https://revistarbus.sbus.org.br 2- Academia Americana de Urologia (AUA). Post-void residual as diagnostic tool 3- https://portaldaurologia.org.br (SBU) 4- https://revistarbus.sbus.org.br (RBUS)

O especialista

Dr. Daniel Hampl, urologista no Rio de Janeiro

Daniel Hampl, urologista Rio de Janeiro, especialista em cirurgia robótica, certificado pela Intuitive Surgical – DaVinci Surgery®, especialista em tratamento de câncer urológico. Doutorado pela UERJ. Acompanhe meu blog e os vídeos do meu canal do youtube que fala sobre este tema.


Página de contato 👉 https://danielhampl.com.br/contato/
📱WhatsApp Barra 👉 (21) 99934-1450 / 📱WhatsApp Ipanema 👉 (21) 99934-6665

compartilhe​